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É a mais ardente e a mais maligna de todas, ainda que a sua violência seja imperceptível e que os seus danos se escondam.
Se observarmos com atenção o seu poder, notaremos que ela se torna sempre mestra dos nossos sentimentos, dos nossos interesses e dos nossos desejos.
Ela é a demora que tem a força para fazer parar os maiores navios, é uma calmaria mais perigosa para as grandes empresas do eu do que os bancos de areia e do que as maiores tempestades.
O repouso dado pela preguiça é uma sedução secreta da alma, que pára de repente as lutas mais inflamadas e as resoluções mais obstinadas.
Enfim, para se dar uma verdadeira ideia desta paixão, é preciso dizer que a preguiça é como que um estado de beatitude da alma, consolando-a das suas perdas e ocupando o lugar de todos os bens.
La Rochefoucauld, in "Reflexões"
La Rochefoucauld, in "Reflexões"
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4 comentários:
Um gajo com miolo, que sabia como descansar o neurónio... ;)
Dark kiss.
Mas é tão bom ter preguiça no inverno, deitado perto de uma lareira, enroscado no quentinho e ouvir o lume a crepitar e a chuva e o vento a baterem nas vidraças...Tudo tem a sua importancia no momento certo...apenas os excessos podem ser nocivos.
Um beijo
António
A preguiça constante não é nada saudável, nem recomendável... mas quem não gosta de uma bela preguicite???
Esta não me parece assim tão maléfica... bem pelo contrário.
Bjo.
A inacção é realmente perigosa!
:o)))***
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